
Mordida construtiva: por que o diagnóstico vem primeiro?
A mordida construtiva é um recurso clínico utilizado para registrar uma relação mandibular terapêutica que será reproduzida no aparelho. Por isso, sua construção não deve ser tratada como uma etapa isolada: ela precisa estar relacionada à alteração que se pretende abordar e ao objetivo estabelecido no planejamento.
Cada alteração exige um raciocínio clínico
A imagem evidencia que não existe uma única forma de pensar a mordida construtiva. A relação entre os dentes superiores e inferiores muda de acordo com a alteração apresentada, e o registro deve acompanhar o objetivo terapêutico definido para aquele paciente.
Ponto fundamental: a mordida construtiva deve ser individualizada. Antes de registrar a posição mandibular, é necessário compreender qual alteração está presente e qual mudança se pretende obter.
Sobremordida
Na sobremordida, a relação vertical dos incisivos é um dos aspectos que orientam a análise. O planejamento deve considerar a relação vertical existente e o objetivo terapêutico antes da definição do registro mandibular.
Mordida cruzada anterior
Na mordida cruzada anterior, a relação anteroposterior dos dentes anteriores é modificada. A construção do registro deve ser pensada de acordo com a necessidade de correção identificada no diagnóstico, evitando uma padronização que ignore as características individuais do caso.
Sobressaliência
Na sobressaliência, observa-se uma relação horizontal aumentada entre os dentes anteriores. Nesse contexto, a posição mandibular registrada deve estar coerente com o objetivo terapêutico definido para o caso.
Mudança de Mordida Transversal
Na mordida cruzada, a relação transversal entre as arcadas encontra-se alterada. A mordida construtiva deve ser realizada de acordo com o diagnóstico, buscando estabelecer uma relação mandibular adequada para favorecer a correção da alteração transversal e o correto relacionamento entre as arcadas.
Da avaliação ao registro
Uma sequência de raciocínio clínico pode ser organizada da seguinte maneira:
- Identificar a alteração presente.
- Analisar as relações vertical, transversal e anteroposterior envolvidas.
- Definir o objetivo terapêutico.
- Estabelecer a posição mandibular que será registrada.
- Realizar a mordida construtiva de forma individualizada.
- Transferir esse registro para o planejamento e para a confecção do aparelho.
A mordida construtiva como parte do planejamento
Quando compreendemos a mordida construtiva como parte do diagnóstico e do planejamento, o registro deixa de ser apenas um procedimento técnico. Ele passa a representar uma posição mandibular escolhida com uma finalidade terapêutica.
Esse cuidado é especialmente importante na Ortopedia Funcional dos Maxilares, em que a escolha da posição mandibular e a forma de construção do aparelho devem estar alinhadas ao objetivo clínico.
Conclusão
A mordida construtiva deve ser individualizada e fundamentada no diagnóstico. Sobremordida, mordida cruzada anterior, mordida cruzada transversal e sobressaliência são situações distintas e, portanto, exigem análise específica para que o registro mandibular seja coerente com a finalidade terapêutica.
No Instituto Kochhann, o estudo da mordida construtiva está inserido em uma abordagem que valoriza o diagnóstico, a compreensão funcional e a individualização do tratamento.